poemas e notas de Rosa Clara dos Santos

sábado, 23 de outubro de 2010

Para Um Adeus

(Thierry M. Motta)

Creio no adeus
como até sempre
- convite para a Eternidade -,
pois prescindo do face a face
por condição
de meu amor ao próximo.

As distâncias se anulam
nas profundidades do ser,
mensuráveis que são
apenas no vôo das borboletas.
Ainda que eu não parta,
as horas me partem e me vou.
Enquanto eu ao teu alcance,
sempre o adeus em olhares.

Do cinema visceral de todos os sentidos
afasto-me:
regressamos Àquele em cujo fogo
vemo-nos íntimos sem espelho
sem fora.
Galáxias desvendo em mim
e nem atino com a pequenez cobiçosa
dos que se aferraram à lua.

Estes são versos
por que me apresento
- convido-vos, me encontrais -,
e de partida, arteriais
cascateiam por lentes, pontes, vésperas
na forma de um canto que fica
                                                           até sempre...

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